Esta é a estória de um homem, arguido num processo, que conseguiu, em pleno tribunal, vencer a cabala contra ele armada pelo verdadeiro culpado e por um magistrado venal. Se havia advogados sabidões, testemunhas ou cartas anónimas ao barulho, disso não reza a história...
Ei!... Alto e pára o baile. Não, não é nada do que estão para aí a pensar. Trata-se apenas de mais uma pequena narrativa, enviado por uma amiga minha.
Desta vez são dois “chuacs” de agradecimento para a minha amiga. Um pela estória em si. Outro pelo trabalho que ela teve com o conto, pescado lá nos Brasis e tão cheio de brasileirismos que, se não fosse o duche que ela lhe deu, mais parecia a letra de um samba.
Aqui vai, lavadinha e maquilhada à luso-portuguesa, a parábola (de autor anónimo): Inocente ou Culpado.
Conta uma antiga lenda que, na Idade Media, um pobre homem foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era um Senhor influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para esconder e pôr a salvo o verdadeiro assassino.
O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado previsível: a forca. Ele, que era pobre mas não era parvo, sabia que tudo iria ser feito para o condenar e que teria poucas hipóteses de sair vivo daquela embrulhada.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado no sentido deste provar a sua inocência.
Disse o Juiz: "Como toda a gente sabe, sou uma pessoa muito devota, vou à missa e comungo todos os dias, por isso vou deixar a sorte do réu nas mãos de Deus: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. E acrescentou o Juíz, dirigindo-se ao réu: “Nesse sentido, você escolherá um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. Assim, Deus Pai decidirá o seu destino."
Sem que a assistência percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.
O juiz colocou os dois papéis dobrados em cima da mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e, pressentindo a tramoia contra ele armada, aproximou-se da mesa, pegou um dos papéis, meteu-o rapidamente na boca e logo o engoliu.
Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.
- "Mas o que você fez?!... E agora? Como vamos saber qual o seu veredicto?", perguntou o Juíz.
-"É muito fácil", respondeu o homem. "Basta olhar o outro pedaço de papel que sobrou. Logicamente, no papel por mim escolhido, e que engoli, estava escrito o contrário."
Sem argumentos, o juiz mandou libertar o homem.
Publicado por vmar em janeiro 5, 2004 11:31 PMBoa, boa...
Um abraço,
Francisco Nunes
P.S. (o post, não o outro...) Ó homem qualquer dia estou cego com as suas imagens... Arranje algumas mais fáceis...
Afixado por: Planície Heróica em janeiro 6, 2004 12:39 AMÉ pena que, hoje em dia, nem todas as "questiúnculas" próprias da vida possam ser resolvidas de forma tão leviana...
Afixado por: aShBuRn em janeiro 6, 2004 10:09 AMQuando se é mais papista que o papa...às vezes...
Afixado por: vmar em janeiro 6, 2004 10:49 PMGirissima esta história.
Afixado por: Sofia em janeiro 7, 2004 12:04 AM